Pleonasmo corporativo

A linguagem é um dos elementos mais importantes no trato com o cliente. A qualidade nesse quesito é essencial para que a empresa inspire credibilidade no contato com o consumidor. Porém, o pleonasmo corporativo é um problema no atendimento. Ainda que haja argumentação no sentido de que o relevante é fazer-se entender, o uso do recurso formal da língua é imprescindível para demonstrar seriedade nessa relação que se deseja construir. 

Os vícios de linguagem são obstáculos nessa construção. Mas no que consistem essas manias? Vícios de linguagem constituem o desrespeito às regras da língua-padrão, que podem ser gerados por desconhecimento ou por má assimilação das regras por parte de quem fala ou escreve. Um dos vícios mais recorrentes nessa comunicação, principalmente no atendimento ao cliente, é o pleonasmo. A seguir, entenda por que devemos evitar o pleonasmo corporativo para ter uma melhor relação com os clientes. Boa leitura!

O que é o pleonasmo?

O pleonasmo, ou redundância, é uma figura ou forma de linguagem viciosa que consiste na repetição de uma ideia, de quem fala, um artifício ligado ao estilo. Os exemplos clássicos de pleonasmos viciosos são expressões como “entrar para dentro”, “subir para cima”, “descer para baixo”, “sair para fora”, “ver com os olhos” e “encarar de frente”. Essas são todas amostras do tipo vicioso de pleonasmo. 

No entanto, quando ele é empregado como forma de enfatizar uma expressão, o pleonasmo deixa de ser verificado como vicioso. Nesse caso, ele passa a ser considerado como pleonasmo literário. Um exemplo são os versos “E a Noite sou eu própria! A Noite escura!”, da poetisa portuguesa Florbela Espanca. O adjetivo escura atua sobre o caráter intrínseco, normal ou dominante do substantivo noite. É um meio de dar ênfase, um recurso literário. 

O pleonasmo literário é enxergado como um recurso estilístico, sendo praticado comumente por escritores e compositores, enquanto que o vicioso é uma má aplicação da linguagem, geralmente utilizado por desconhecimento ou por falta de cuidado na escrita ou na fala cotidiana. 

Como o pleonasmo corporativo atrapalha os negócios?

No momento em que alguém se anuncia em nome de uma empresa, essa pessoa vai além de responder em seu próprio nome. Ela é a imagem da empresa. Por isso, quando comete enganos ou equívocos na comunicação com o cliente, como o pleonasmo corporativo, esse falante também está levando o seu empregador nesse caminho desacertado perante o cliente. É a própria instituição atrapalhando-se no diálogo.

Digamos que um cliente não tenha ouvido direito a proposta de um vendedor, que pretende oferecer algo que exigirá um investimento alto por parte do comprador. Se o intermediário pronunciar um “eu vou repetir de novo” para o seu interlocutor, isso pode fazer com que a motivação para o fechamento do negócio recue. Isso causa uma má impressão quanto ao profissionalismo. 

Quando o cliente se vê diante de um diálogo firme, sem deslizes na comunicação, ele também consegue concentrar-se somente no que lhe é oferecido e percebe que os funcionários são capacitados e bem treinados e que a comunicação clara e alinhada é priorizada. 

A linguagem pleonástica produz um ruído na comunicação e atrasa o processo em um ambiente em que as interlocuções precisam ser sempre muito mais objetivas, simples, diretas, no sentido de chegar à conclusão de uma ideia, para que seja efetivada uma prática. Para quem ouve, o pleonasmo corporativo pode causar grande incômodo. Além disso, tem chances de atrasar o processo de comunicação e torná-la mais complexa. Esse é um fator que prejudica muito a clareza dos seus negócios. 

Portanto, a sua empresa pode ter resultados negativos de uma comunicação com vícios ou, até mesmo, inadequada. Uma vez que se assume a posição da imagem institucional, o cuidado deve ser enorme para que não existam problemas com a sua reputação no mercado. 

Quais são os pleonasmos corporativos mais comuns? 

O uso de pleonasmos corporativos é muito comum no dia a dia, ao ponto de algumas expressões instalarem-se nos vocabulários dos funcionários e parecerem absolutamente corretas. Ainda que se saiba que a língua portuguesa possui um grande dinamismo no que diz respeito à oralidade e às regionalidades, a importância de estar atento para esses vícios e erros é enorme. Tudo para não causar estranhamentos no que realmente importa: a conversação com o cliente.

Várias expressões são conhecidas, e é recomendável que tenhamos entendimento sobre elas para retirá-las do repertório vocabular o quanto antes. As principais são: 

  • adiar para depois — a utilização do advérbio “depois” é irrelevante, pois o verbo adiar já traz a informação de que algo teria sido cancelado;
  • certeza absoluta — essa expressão é redundante, pois a palavra certeza já denota convicção;
  • regra geral — a regra já possui carga de generalização;
  • conclusão final — a conclusão é a parte que encerra, portanto a palavra final torna-se vazia;
  • elo de ligação — todo elo tem caráter de ligação;
  • há muitos anos atrás — o verbo haver, conjugado na terceira pessoa do singular, tem caráter impessoal, indica tempo decorrido, logo, não há a necessidade da aplicação do verbo atrás;
  • repetir de novo — o ato de repetir já significa fazer de novo;
  • encarar de frente — já se encara naturalmente o que está à sua frente. 

Ainda há outros exemplos, como “panorama geral”, “surpresa inesperada”, “fato verídico”, “fatos reais” etc. O melhor é sempre pensar no valor de cada palavra antes de falar. 

Como evitar os vícios de linguagem?

Conforme explicamos, os vícios de linguagem são desvios gramaticais do idioma. Os mais comuns de linguagem são:

  • barbarismo — emprego de palavras ou expressões estranhas ao idioma;
  • cacofonia — ocorre quando sílabas de palavras diferentes se encontram;
  • pleonasmo vicioso. 

Outros tipos de vícios que devem ser evitados são palavras no gerúndio, diminutivos, gírias, vocabulário impróprio, entre outros. Uma técnica excelente para se evitar os vícios é pensar no movimento seguinte de fala para evitar colocações impróprias. Estar atento aos possíveis conselhos de colegas e superiores também é algo apreciável. Sempre é tempo de aprender e se renovar. 

Dicas para melhorar a comunicação com o cliente

Treinar, estudar, pensar antes de falar e policiar-se são as melhores maneiras de evitar o pleonasmo corporativo e outros vícios de linguagem. Além disso, é importante atentar-se aos seguintes pontos:

  • use o seu vocabulário com cuidado;
  • tenha domínio sobre a sua fala;
  • seja claro e objetivo na sua comunicação;
  • tenha uma escuta atenta;
  • controle o seu tom de voz. 

O pleonasmo corporativo é um vício que, muitas vezes, passa despercebido na comunicação do dia a dia. Porém, por mais que ele pareça inofensivo, ele pode prejudicar muito a imagem da sua empresa. Portanto, sempre busque maneiras de profissionalizar a sua comunicação. Nem sempre isso quer dizer ser formal demais. A linguagem deve ser correta, mas sempre prezando pelo alinhamento com o cliente. 

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