Energias limpas: benefícios, desafios e um breve histórico

Da descoberta da eletricidade, lá em 600 AC, ao que há de mais moderno em energias renováveis e limpas. E como esta evolução precisa ser amplificada e maximizada para o bem do planeta, o crescimento de todos os mercados e a evolução da sociedade.

Leia abaixo o artigo imperdível de Ricardo Pigatto, Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Energia Limpa – Abragel, Diretor da Associação Gaúcha de Fomento às Pequenas Centrais Hidrelétricas e Sócio-Fundador da RPI Energy Partners:

Grande parte da população mundial não tem nem idéia de como o elétron é gerado e como ele chega nas suas casas quando o celular é plugado para carregar, quando aciona um interruptor, usa um utensílio doméstico ou aciona o ar-condicionado. A história da eletricidade como a conhecemos hoje é fantástica e impressionante. Desde Tales de Mileto (mais ou menos anos 600 AC) que descobriu (por acaso) a indução por atrito (limpando uma “pedra” de âmbar com uma pele de cordeiro) até a primeira usina hidrelétrica em corrente alternada (Niagara Falls em 1896) entrar em operação, muita coisa foi descoberta.

Por incrível que pareça, a geração de corrente elétrica por reações químicas precederam a geração de energia por variação de campo magnético e a expansão acabou sendo por esse caminho com o pioneirismo da geração de energia elétrica sendo através de usinas térmicas com as máquinas a vapor (combustível carvão) e as hidrelétricas.

Pois pasmem, a geração térmica ainda é responsável por cerca de 80% da geração de energia no mundo, cujos combustíveis são, na grande maioria, fósseis (carvão, petróleo, gás natural), cerca de 65% e em cerca de 15% o combustível é nuclear (muitos não sabem que as usinas nucleares são térmicas e que aquela “fumaça” que sai das torres de resfriamento é apenas vapor d’água).

No início dos anos 2000 acendeu uma luz de alerta sobre o aquecimento global e uma busca por substituição das matrizes de geração de energia (não só a elétrica, mas principalmente a energia motriz para veículos de transporte) por fontes renováveis.

Desde então, o cidadão comum, que pouco se interessava de onde vinha sua energia, começou a prestar atenção. O ciclo atual de geração renovável tem como carro-chefe a geração eólica.

Os aerogeradores (WTGs – wind turbines generators) no início dos anos 2000 eram de 600kW e torres de 30m de altura e pás de 20 metros de comprimento (diâmetro de 40m). Atualmente, o avanço tecnológico permite WTGs de 12 MW (offshore) ou 6 MW (onshore), 20 vezes maiores do que os WTGs originais, com torres de 120m de altura e pás de cerca de 80m (160m de diâmetro).

Um pouco defasado na evolução, mas hoje com uso em massa de geração de energia elétrica, entretanto não menos conhecido tecnologicamente há muitos anos, vem a geração fotovoltaica, que diferente das demais a corrente elétrica não é por variação de campo magnético, mas por movimentação dos elétrons provocada pela incidência de luz solar em semicondutores à base de silício (painéis solares). Em menos de 10 anos já houve uma redução de mais de 70% nos custos de geração fotovoltaica que vem transformando essa forma de geração de energia numa das mais competitivas, se considerada apenas pelo custo de geração da própria fonte. 

Mas a Onda Verde  (Clean Energy) tem seu preço. As eólicas e solares fotovoltaicas são gerações intermitentes e não permitem garantia de suprimento (estabilidade na geração) e, portanto, precisam de geração de base, que podem ser as hidráulicas ou térmicas, que custam mais caro e, portanto, há um sofisma na afirmação da geração renovável é farta e barata, pois se forem consideradas as externalidades de cada fonte vamos saber que, atualmente, a geração hidráulica é a mais barata e com a menor emissão de carbono na atmosfera em toda a matriz produtiva.

A visão sábia da evolução na geração de energia elétrica serão os sistemas híbridos, com a agregação de novas formas de geração de energia renovável.  Atualmente já existem “fazendas” submarinas de geração de energia com a variação das marés (norte da Escócia). São geradores subaquáticos iguais aos aerogeradores só que submersos onde as correntes marítimas movem suas pás.

Como a variação das marés é precisa em tempo e volume, a geração advinda é garantida, segura e abundante. Atualmente a Escócia atingiu 100% de sua demanda de energia através de fontes renováveis e para “firmar” o fornecimento de energia o sistema está conectado em toda a malha do Reino Unido onde ainda operam térmicas a gás natural e algumas poucas a carvão e nuclear (em descomissionamento).  

Na Islândia, a geração de energia geotérmica é uma realidade de geração barata, limpa e acessível. No Marrocos e Israel, plantas de geração de energia termo solar, ou seja, grandes quantidades de “espelhos” aquecem um líquido (tipo de óleo) que mantém a própria temperatura elevada e este aquece a água que gera vapor que move turbinas e estas geram energia elétrica. Como a temperatura deste “óleo” permanece alta ainda após o pôr do sol, a usina ainda gera energia “solar” sem ter sol.

Fantástica tecnologia. Ainda poderíamos falar das células de combustível à base de hidrogênio para geração de energia elétrica, mas um uso mais “nobre” será o destino deste combustível.

Tudo isso na geração de energia elétrica para uso geral, mas agora vamos para o maior problema ambiental mundial: o transporte de cargas e pessoas com combustíveis fósseis. 80% das emissões vêm do transporte, carros, caminhões (por exemplo: 10 caminhões a óleo diesel geram mais emissões do que uma usina de biomassa que atende uma população de mais de 30 mil habitantes no mesmo intervalo de tempo).

Todos nós acompanhamos a evolução dos carros elétricos e o desenvolvimento da tecnologia de armazenagem de energia por baterias e em alguns países mais desenvolvidos a meta é acabar com a venda de veículos novos com motores à combustão já em 2030 e em 2050 não ter mais veículos rodando com motores à combustão.  Mas não esqueçamos que as baterias precisam ser carregadas após o uso e para isso ainda vão precisar de geração convencional de energia elétrica.

A tecnologia de transição pode ser small scale de gás natural liquefeito (LNG – denominado combustível de transição, já que é fóssil, mas é o menos poluente de todos os fósseis existentes) para uso automotivo e já está em uso comercial no mundo, com um caminhão podendo rodar 2.000 km com um tanque de LNG emitindo pelo menos 20 vezes menos CO2 na atmosfera.

O Brasil já tem 10 caminhões importados rodando pelo país em período de testes para demonstrar a viabilidade da transição do diesel para o gás natural liquefeito (o LNG/GNL é liquefeito com rebaixamento da temperatura a -162º.C  e reduz em 600 x o volume. Não é gás natural veicular que é gás comprimido que reduz o volume em apenas 40x).  

A parte mais legal de tudo isso é que o mundo já domina, há muitos anos, a tecnologia de geração de hidrogênio, com poder calorífico 2 a 3 vezes maior do que o gás natural, por exemplo, e o que era extremamente caro para separar as moléculas (eletrólise, por exemplo) hoje está se tornando economicamente viável e o resíduo da queima de H2 é água (pura), ou seja, podemos mudar a matriz energética automotiva e gerar benefícios ambientais reduzindo drasticamente as emissões.

E a energia elétrica a ser usada para geração de H2 virá das fontes renováveis (hidráulica, eólica e solar) fora dos horários de ponta e a geração térmica necessária para segurança energética será através de gás natural. Teremos um mundo mais clean em termos de geração, e espero poder presenciar esta previsão.

Na entrega da energia elétrica aos Consumidores há tremendo avanço em termos de gestão, controle, venda antecipada e qualidade da energia entregue. Esses mecanismos estão sendo implementados através de IoT. Já existem movimentos das utilities em transformar seus sistemas em smart grid com smart meters e informações on line sobre o consumo de energia. Nossos smartphones receberão todas as informações necessárias para que possamos ter eficiência energética domiciliar, já que nas indústrias esse movimento já está consolidado.

Na transmissão da energia por longas distâncias que hoje, no Brasil, atingem 150 mil km de extensão e custam mais de R$ 12 bilhões de reais por ano aos Consumidores brasileiros, tendem a diminuir em função da geração distribuída (GD) onde se instalam fontes de geração mais próximas aos centros de consumo. Isso já é também uma realidade.  Além disso a evolução tecnológica para substituição de LTs por linhas novas com materiais de novos compósitos serão capazes de transportar mais energia com retrofit dos cabos antigos por cabos novos.

A pandemia trouxe ao mundo uma redução significativa de consumo de energia, lato sensu, e a retomada deverá ser rápida. Para aqueles que veem o copo meio vazio peço que mudem o foco e vejam meio cheio. Muitas oportunidades virão. Temos que estar preparados. A geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia dependerão, cada vez mais, da evolução tecnológica, IoT, algoritmos, sistemas e muito mais. Dependerão da qualificação dos agentes e de inteligência para alcançarmos o estado da arte da ESG no setor energético.

Os nossos cânions – uma impressionante formação natural a apenas 200 km de Porto Alegre                           

Beto Conte, Diretor da agência de viagens e intercâmbios Trip & Travel e Diretor do STB Student Travel Bureau. Apaixonado por viagens, já percorreu 139 países nos 6 continentes e coordena uma equipe de consultores com ampla vivência internacional, a fim de proporcionar viagens de experiências únicas no mundo todo.

Em dezembro conduzi uma dezena de amigos-clientes pelos cânions gaúchos – uma viagem de micro-ônibus, ficando em um hotel imerso na natureza e no meio-da-semana de forma a ter o mínimo de contato com outras pessoas. O test-drive foi aprovado por todos que se sentiram seguros e energizados. Já para mim foi essencial terminar o ano com este “petit tour” fazendo o que mais gosto que é viajar, cuidar e aprender com as pessoas – prática recorrente na meia centena de Grand Tours que conduzo pelo mundo – e que me faz tão bem. 

Passamos 3 noites no Eco hotel Cambara – que foi a base para explorarmos os nossos cânions que surgiram 150 milhões de anos atrás quando a América do Sul se separou da África.

Conhecemos alguns dos 40 cânions no RS, os maiores e mais profundos, havendo outros 30 em SC. Uma formação rochosa que impressionou a todos com altitude de 1000 a 1400 m acima do nível do mar, chegando a ter paredões verticais de quase mil metros.

Em nosso grupo de pessoas que já haviam percorrido o mundo todo, nenhuma conhecia ainda esse cenário fantástico à apenas 200 km de Porto Alegre.

No primeiro dia visitamos o cânion Itaimbezinho, que se estende por 5,8 km no parque nacional dos Aparados da Serra criado em 1959 com 10 mil hectares. O cânion estava tímido, escondido nas brumas só mostrando parte de sua imponência. Contornamos o seu “cotovelo” desvendando entre outras a queda d’agua “Véu de Noiva” e as plantas que desafiam a gravidade e se fixam nas paredes verticais de rocha. Sempre me instiga esta composição de campos verdes horizontais com o maciço rochoso vertical, um rasgo de 250 km de bordas de cânions desde Maquine (RS) até o Rio do Rastro (SC).  

Uma boa pedida é o almoço na Parrilla Seu Carlos no meio de uma bela propriedade com floresta nativa e a Cachoeira do Tio França.  Seguindo em direção à Jaquirana, para conferir a Cachoeira dos Venâncios com suas quatro exuberantes quedas d ́água formadas pelo Rio Camisas. 

No segundo dia caminhamos até o alto do mirante do cânion Fortaleza no Parque Nacional da Serra Geral, instituído em 1992 e com 17 mil hectares.  A vista é estupenda com as encostas mais suaves e cobertas de mata Atlantica, contrastando com o céu límpido e azul com que fomos premiados aquele dia. Alem da trilha do Mirante e da borda sul vale a pena fazer também a da Pedra do Segredo – um bloco de rocha, de 5 metros de altura, que pesa 30 toneladas e equilibrada numa base de apenas 50 centímetros. 

No terceiro dia tentamos visualizar o Cânion Monte Negro em São José dos Ausentes mas este preferiu guardar seus segredos envolto nas nuvens. Fica junto ao Pico Monte Negro que é o ponto mais alto do Rio Grande do Sul, e faz a divisa natural do estado. A parte superior fica em solo gaúcho, em Ausentes, e a parte de baixo (interior do cânion) pertence ao Município de Morro Grande, Santa Catarina. 

Em nossos 4 dias do Pétit Tour Trip & Travel desvendamos esses cânions, bem como cachoeiras, campos de cima da Serra , rios banhando a base rochosa do maior afloramento  basáltico do planeta e as florestas nativas das impressionantes araucárias.  Adoramos tudo. 

Informações e orientações de viagens pelo Brasil e no mundo com betoconte@triptravel.com.br e (51) 99314.0587

Confira as viagens do Beto as gravações de 34 episódios da serie Beto no Mundo – do Artico à Antártica, Alaska à Nova Zelândia, explorando a diversidade natural e cultural do planeta no www.triptravel.com.br/eventos e inscreva-se para conferir as próximas apresentações via zoom/youtube.

Benefícios do verde

Em linha com nossa dica estrelada hoje por Beto Conte, vamos falar um pouco mais dos benefícios da natureza para nossa vida?

Saiba que caminhar em meio ao verde, ou fazer trilhas, pode trazer muitos ganhos. Entre eles, fortalecer o sistema imunológico, já que coloca o corpo humano em contato com os “fitonicidas”, moléculas expelidas pelas plantas que são benéficas à nossa saúde.

Além disso, a caminhada em trilha gasta calorias e favorece o sistema cárdio-respiratório,  bem como ajuda a tonificar as pernas, por gerar esforço sem demasia.

Este tipo de prática ajuda, ainda, a cuidar dos ossos, já que, se realizada com assiduidade, auxilia no aumento da densidade óssea, reduzindo o risco de fraturas e de osteoporose. Dica: para potencializar este ganho, use bastões de apoio em trilhas de descida ou subida, isso irá minimizar a pressão sobre os joelhos.

A vitamina D também está entre os benefícios. Como normalmente o esporte é praticado em exposição ao sol, torna-se uma fonte natural deste mineral importantíssimo para o fortalecimento da estrutura óssea e da imunidade.

Beleza que vai à mesa

Sabia que é possível comer flores? Várias destas belezas naturais são também saborosas. Caso do hibisco e da capuchinha, que entram no grupo das flores funcionais, ajudando na prevenção de doenças por serem ricas em vitaminas A e C. São também boas para reduzir a retenção de líquidos, devendo ser usadas em chás e também na salada ou como tempero para risotos.

Pétalas de girassol também são uma ótima pedida. Elas não têm sabor, por isso podem ser salgadas ou adoçadas a gosto, e compõem muito bem com saladas, refogados de legumes, carnes e massas. O que trazem de bom? Muita vitamina A, betaína e fitosterina, que ajudam na digestão. Vá fundo!

A rosa, tão querida nos buquês e vasos, também é bem vinda na culinária. Experimente colocar um botão de minirrosa em um vidro de azeite de oliva e deixar por um tempo. Depois, sirva na salada. É uma delícia!

Há, ainda, a calêndula, que tem alto teor de carotenoides e, por isso, ajuda em processos inflamatórios. Use em omeletes ou no arroz. Ou simplesmente misture no iogurte. Fica ótimo.

Por último, que tal um dente-de-leão? Pois ele pode ser usado na salada ou no suco, tendo um ótimo efeito detox. Sem contar que os pratos ficam lindos com sua coloração amarela vibrante. Bom apetite!

 

 

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